segunda-feira, 8 de novembro de 2010

GROGUES, CEGAS E VIOLENTAS!

Maíra (guitarra) Cynthia (Bateria) Carol (baixo)

By Maíra Tito

O primeiro contato entre as Grogues, Cegas e Violentas! foi intermediado pelo produtor desse blog, Valquir Fedri, e não podia ter acontecido em local mais propício: o ônibus que levava o pessoal de Londrina para ver o show dos Sex Pistols em São Paulo, na volta da banda, em 1996. Eu havia comprado uma Sonelli semi-acústica dos anos 1960 do Valquir e ele havia me dito que eu devia conversar sobre montar uma banda com outras duas garotas que ele conhecia, a Carol Avansini e a Cynthia Ito. O papo na estrada, regado a cerveja e adrenalina pelo evento que iria acontecer à noite, rendeu o compromisso de um encontro para conversar.
Cheguei no apartamento das meninas com meia dúzia de latas de cerveja, me perguntando se eu estaria sendo inconveniente, mas fui recebida muito bem, e as cervejas foram recebidas melhor ainda (grogues!). A Carol e a Cynthia eram graduadas em jornalismo e estavam cursando Ciências Sociais na UEL. Eu fazia o terceirão no Maxi.
O primeiro ensaio também não poderia ter acontecido em local mais propício: a sala de espera de uma clínica ginecológica (hoje Casillero Bar), que naquele sábado estava fechada e pertencia ao pai do Raul um amigo nosso. Aquela tentativa tosca de interpretar covers de Verme (Garotos Podres), What do I get? (Buzzcocks), Train in Vain (The Clash), entre outras, naqueles instrumentos desafinados e sem a menor técnica, foi registrada pelo Valquir em vídeo. Ah! “Sem nenhuma técnica” é exagero: eu e a Carol havíamos tido um par de aulas de guitarra e baixo com o Humberto e Rodrigo, os Cherry Bomb, e a Cynthia tinha noções de bateria.



Primeiro Ensaio sala de espera de uma clínica ginecológica (hoje Casillero Bar)
Acervo: Valquir Fedri

O primeiro show foi no quintal da casa do David, no bairro Interlagos, reduto punk na época que concentrava as casas do Roxinho, David, e mais alguns que não lembro (grogue!). Nessa época já tínhamos músicas próprias como a que leva o nome da banda, “Grogues Cegas e Violentas!”, “Azar” e “Thirsty Girl”. A propósito do nome, surgiu espontaneamente da reunião de nossas características na época: o gosto pelos etílicos, o fato de usarmos óculos e termos um comportamento um tanto agressivo com quem tivesse a péssima ideia de antagonizar com alguma das três.



Teatro Zaqueu de Melo 11/12/1997 - Acervo: Valquir Fedri

Em pouco mais que três anos de banda, evoluímos muito musicalmente, a ponto de o último show, em dezembro de 2000, no legendário 92 Graus em Curitiba, ser realmente muito bom, ao menos na minha opinião e na das pessoas que o assistiram – umas 10, no máximo.
Éramos rápidas, precisas, tínhamos estilo e criatividade, embora a técnica não passasse muito do rock'n'roll básico. Alguns deslizes haviam ficado no passado, como quando começávamos a tocar uma música diversas vezes e parávamos ao perceber que não dava certo, porque cada uma estava tocando uma música diferente (cegas!). Os shows tinham, geralmente, um público razoável e empolgado. As influências variavam do punk 77 (nacional, americano e inglês) ao rock'n'roll dos anos 60 e outras coisas obscuras que cada uma curtia. Nesses anos de banda contamos com a colaboração de muitos amigos, como os Estilhaço, os Cherry Bomb, os Cyclone Pill, que sempre nos emprestavam equipamento, instrumentos e ajudavam no som. Ou os namorados (Roxinho, Cibié, Kiko, Lucas, Pablo, Osmar, Coxinha, Luiz Teddy) que nos levavam para casa depois de uma noite catártica e nem reclamavam no dia seguinte. Muitos outros que não lembro agora (grogue!) foram imprescindíveis para que essa história tenha sido escrita.
Mas se há uma marca que nos identificava mais do que as outras, era a ATITUDE. Estávamos entediadas com a cidade e com o mundo, queríamos chocar, éramos livres. Toda ideia de qualquer integrante da banda era bem-vinda, gerando um espaço de catarse (violentas!). Pixamos muros com letras dos Ramones, espalhamos isopor picado pelo Bar Potiguá, tocamos no anfiteatro do Zerão e no Teatro Zaqueu de Melo usando saias tão curtas que era provável que mesmo quem sentou nas fileiras mas distantes podia ver mais do que deveria.


Organizamos desfiles de moda punk, desprezamos a estética dominante com nossos coturnos e cabelos curtos. Desafiamos o machismo que impera até mesmo no circuito underground, deixando de nos privar de qualquer coisa que quiséssemos fazer, ainda que fosse costume restrito aos círculos masculinos. Invadimos palcos (ainda que em local não apropriado, como no show do IRA! no Clube Canadá). Ensopamos de cerveja os músicos nossos amigos (coitada da Rickenbaker do Humberto!). Pogamos. Viajamos para tocar em Curitiba, Guarulhos, Ibiporã, Cambé, Presidente Prudente. Nos orgulhávamos de não ser apenas as namoradas que seguram as jaquetas dos caras quando eles vão tocar e levam cerveja no palco para os amados. Estávamos no palco e estávamos lá para causar uma impressão.
A banda acabou quando a Cynthia casou-se e foi morar um tempo no Japão. Nosso legado é uma fita-demo (Grogues, Cegas e Violentas!) e um cd-demo (We're not nice girls for them), ambos gravados em estúdio, ao vivo e reproduzidos manualmente. São gravações simples, diretas e contundentes. Assim como foi a história das Grogues nas ruas de Londrina, uma Londrina muito diferente da de hoje, onde se podia comprar vinho na Adega da rua Brasil e sair bebendo tranquilamente pelas ruas frias e cobertas de nevoeiro na madrugada. Uma época autêntica, inesquecível, sem frescuras.



Teatro Zaqueu de Melo 11/12/1997 - Acervo: Valquir Fedri





CD gravado e mixado no estúdio Dinamus em Fevereiro de 2000

Fotos da Capa e contracapa - Rogério Ivano

Arte - Kiko

Para Download click aqui http://www.4shared.com/dir/oZhazWeg/sharing.html


Carta Manifesto que acompanhava o CD

Agradecimentos

Juan Diaz pelas digitalizações

Lucas Ricardo, pelos arquivos.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

THE MANIAC ROCKERS



por Alexandre Salton de Souza Aranha “Preto Aranha”

Os dois amigos de infância, Alexandre Salton de Sousa Aranha e Luís Carlos Greco da Silva, andavam alucinados pelas ruas de Londrina, depois do contato que tiveram com os discos Sewertime Blues, The Meteors; The Full Custom, Gospel Sounds; The Reverend, Horton Heat e alguns outros tapes da Mad Sin e coletâneas com psychobilly europeu.

Lino, apelido que Luís Carlos ganhou, com os galeritos dos anos 80, no Conjunto Habitacional Gávea, não aguentava mais ter a fama de roadie da banda K'Bides e então, não demorou para que, Lino (vocal), Preto Aranha (guitarra) e Fabrício (bateria), convidassem também Diogo Bichão (baixo) e assim, formassem THE MANIAC ROCKERS uma insana banda de rock, que, traria letras de sangue esparramado pelo chão, sexo bruto e também, por quê não, falaria mal da vizinha gorda, da casa do lado debaixo, a necessidade era tocar o som que há tempo ouvia com os amigos, nas “quebradas dos igarapé mais podre” de Londrina: o PSYCHOBILLY.

Realizamos então o primeiro ENSAIO no dia dos mortos (02/11/94) no Jardim Alvorada, na mansão que só o pai e a mãe do Fabrícião, proporcionavam para os roqueiros doidos, molecada chupeta da cabeça. Era notório para os pais dos integrantes da banda que, estes, já estariam envolvidos com coisas do tipo, alucinógeno B, mas de qualidade A, foi então que perdemos o espaço de ensaio na mansão dos Santesso, migrando então os ensaios para o Gávea, na casa do Lino.

SHOWS: a banda começava a se apresentar em vários lugares, ULES, DCE, o falecido Bar Mecenas, point da city para shows de galerosos, chácaras regadas a muitas cervejas e garotas, campeonatos de skate, foram alvos constantes de apresentações da banda e até numa “casa de shows de luz vermelha”, no Jardim Bandeirantes, onde moças lá, ficavam sem calcinha por debaixo das saias e, estas sendo de couro, não mediam mais que 25 cm. As mulheres deste prostíbulo, nunca haviam visto topetes tão arrojados e, com certeza se hoje alguém perguntasse a elas, se sabem o que é PSYCHOBILLY, elas se lembrarão daqueles quatros jovens rockers arruaceiros.



Em abril/1996, o Fabrício deixava a banda nas vésperas das gravações de quatro músicas: ATTACK OF THE BÉQUI-MEN; I´M GONNA KILL YOU; SHE´S A VAMPIRE; ANDRADE para a coletânea PSYCHORRENDO. Precisávamos de um baterista urgente, pois já tínhamos o compromisso de enviar uma fita matriz pra São Paulo/SP, iríamos participar da primeira coletânea PSYCHOBILLY do Brasil em CD, a produção já estava atrasada, aguardando apenas a gravação, dos roqueiros maníacos, do interior do Paraná. Foi aí que, após tentativas frustradas com testes e retestes, para achar um batera, Lino resolveu então assumir o vocal e a bateria. A qualidade da gravação foi considerada por muitos, uma das melhores da coletânea. Com isso, a banda se tornava novidade e saímos pra tocar nas duas primeiras edições do Psycho Fest, festival de música psychobilly, que rolou no mesmo ano.

Em dezembro/1996, Bichão foi tentar a vida no Japão e deixou a banda, Arikiller, assumiu o baixo. Nesse ano, a banda se apresentou em alguns bares da city e a realização de um show marcante foi na favela da Marizia, próxima à Avenida Brasília, ali, os galerosos, os manos e as minas, cada um com um terçado na mão, estavam preparados a furar os roqueiros maníacos, se estes errassem qualquer nota, daquele psychobilly clássico. No decorrer da apresentação, a maloqueirada de plantão viu que os roqueiros, não eram flores que se cheirasse também, afinal, nunca nenhuma banda de rock tinha tocado naquele lugar e, depois de 7; 8 músicas a caixa amplificada, do dono do bar, queimou e fomos todos pro balcão, tomar cerveja com a galera doida. Esse show ficou conhecido como LIVE IN FAVELA 96. No fim de 1996, The Maniac Rockers gravou a demo-tape, A TUMBA, que traria dois hits: “Sangue Contaminado” (atualmente interpretada pela banda, The Brown Vampire Catz) e “A Tumba” (atualmente interpretada pela banda, Billys Bastardos), esses sons rodou o Brasil afora, diante dos contatos que o Lino, mantinha através de seu fanzine, Batmozine.

Em janeiro/1998, Arikiller se desentendeu com Lino e o Theo666, ex-Frenetic Trio, assume a baixaria. A banda recomeçava os ensaios, usava a casa de amigos como estúdio, depois de algum tempo, resolvemos ir pra Rolândia, ensaiar no estúdio do Pulga, ex-Cyclone Phill. O voyaginho branco bebia muita gasolina e então, Seu João, pai do Lino, interrompeu a ajuda de custo e assim, começamos a praticar no estúdio O PORÃO.

Foi aí que, em 05/1999, Theo666 resolveu deixar a banda por divergências que, com certeza não era o tipo de som e sim, somente divergência política uma vez que, Jaime Lerner, acabava de assumir o Governo do Estado do Paraná, Preto Aranha aproveitou a carona e deu linha na pipa também. Portanto, com a saída de ambos, Lino, sozinho, não daria continuidade na sonzera, marcando assim o fim da carreira da THE MANIAC ROCKERS que, com certeza, é tida como uma das principais bandas de rock alternativo de Londrina. É Importante lembrar que, a banda contou com participações relâmpagos como as de, Maguininho (baixo); Osmar Cavera (baixo); Camurça (bateria); Beiço (bateria) e Fernando (bateria) onde, estes realizaram 2; 3 shows com a banda.






Lino - Preto Aranha - Theo666

PARA DOWNLOAD DAS 04 FAIXAS DA COLETÂNEA PSYCHORRENDO

CLICK AQUI: http://www.4shared.com/dir/oZhazWeg/sharing.html


Agradecimentos.

Regina Fedri pela revisão de texto

Juan Diaz pela digitalização dos cartezes "Go Back o Show" "Brux" e "Nomad bar".

Videos acervo Valquir Fedri - Gustavo´s Bar 18/04/1998 - Lino - Preto Aranha - Theo666


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

ROTTEN ANGER


Tattoo Bar 1995 - acervo Valquir Fedri

INICIO: 1990 TERMINO: 2000

1990/1991 – Mosquito (vocal) Agnaldo (baixo/ vocal) Ivan (bateria) Cesar (guitarra)
1991/1993 - Mosquito (guitarra/vocal) Agnaldo (baixo/vocal) Ivan (bateria)
1993/1998 - Agnaldo (Guitarra/vocal) Ivan (bateria)
1998/2000 - Agnaldo (baixo/ vocal) Ivan (Guitarra) Kiko (bateria)

Formada no CINCÃO região Norte de Londrina em meados de 1990, ROTTEN ANGER fazia um som NOISE/CORE, muito barulho, protesto e pouca melodia.

ENSAIOS
: Os equipamentos eram bem precários, durante alguns anos a Banda ensaiou na casa do Ivan (bateria) nos finais de semana. No repertório além de vários sons próprios, tocavam covers de Bandas como: AGATHOCLES, V.N.A., SORE TROATH, entre outras.

Ensaio 1995, Agnaldo guitarra e vocal e Ivan batera

SHOWS: A banda tocou vem vários Festivais em Londrina, além do GRUPO organizar as cinco edições do FESTIVAL UNDERGROUND, neste festival era muita zoeira e loucura, durante dois dias bandas de grind/noise core de SÃO CARLOS, FRANCA , CAMPINAS, CURITIBA, LONDRINA se revezavam no palco. O 1º FESTIVAL UNDERGROUND OCORREU NO CONJUNTO JOÂO PAES, o 2º, 3º NO CONJUNTO SEMIRAMIS, todos os três CINCO CONJUNTOS, já o 4º 5º FESTIVAL UNDERGROUND aconteceram no BAR CHAPADÂO ZONA LESTE DA CIDADE. O grande auge de shows da Banda foi no interior de São Paulo (São Carlos, São José do Rio Preto, Mirassol, Fernandópolis, Porto Ferreira, Presidente Prudente, Campinas), enfim tocamos muito durante os 10anos de banda.

Festival em Franca SP _ 1991
Mosquito guitarra e vocal, Agnaldo baixo e vocal e Ivan bateria




GRAVAÇÕES: Durante os 10 anos da banda, foram registradas várias DEMOS-ENSAIO e ao vivo em fitas K7 a última gravação foi um CD DEMO. O que mais marcou foi participar de uma COPILAÇÃO “EDGE OF PAINFULL SENSATION” (1996) gravada em VINIL nesta coletânea nome importantes do NOISE/CORE (MAYHEM DECAY CUDGEL, CONFLITO FINAL E NOISE).
texto: Ivan


Capa da coletânea EDGE OF PAINFULL SENSATION – 12¨ LP 1996
NOISE / MAYHEM DECAY CUDGEL / ROTTEN ANGER / CONFLITO FINAL
DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?e2nhokq1ikq

terça-feira, 17 de agosto de 2010

THE SPAGHETTIES

foto: 1994
acervo: Lucas Ricardo
The Spaghetties - Londrina, jan-1994/fev-1996.
Marco Silva / guitarra
Humberto Scaburi / guitarra
Rodrigo Amadeu / vocal / baixo
Lucas Ricardo / bateria

Talvez, deva considerar a minha adolescência em Londrina, como algo do tipo "perdido entre o tempo e o espaço em algum paraíso jamais esquecido". Sei bem que a cidade não é mais a mesma, mas não tenho do que reclamar, deste lapso de memória, porque jamais vai parar de vir à tona em flashes, sons, odores, sabores e sensações, que de vez em quando me surpreendem em regurgitadas involuntárias.

Conheci três caras que como eu, gostavam, de ficar na beira do palco do D.C.E e do Gran Mausoléu. Isso foi no final de 1992 e começo de 1993, nesse ano, finalmente, fui expulso do colégio, após três reprovações, praticamente seguidas, além de dezenas de idas a diretoria, suspensões. Mas juro que nunca explodi banheiro nenhum, com bombas ou o diabo que o valha. Gosto de outro tipo de barulho.

Acabei levando a minha guitarra e o meu pequeno e pesado amplificador Staner, para o outro lado da cidade, pra tentar um ensaio, numa banda que não durou mais que alguns minutos. Caso tivesse dado certo, a formação relâmpago do boteco-promissor, “Teenage Depression,” teria sido moldada com o Creator na bateria, o Marcelo Galvan (ex-Fahrenheit 451) na outra guitarra, o Fabinho Punk (Depois do Fim) no baixo, além de mim. Alguns minutos de ensaio bastaram, pra descobrir, que a minha precária técnica e autoconfiança como guitarrista, não se encaixou com a deles naquele momento. Naquela noite de verão, voltei para casa, cansado e frustrado. Talvez, ali, já estivesse decidido, a não me importar tanto com a minha Gianinni Stratosonic.

Algumas semanas depois, o Marcelo, o Duda (ex-Fahrenheit 451) e o Daniel (baterista do Depois do Fim) criaram o Cyclone Pill, por outras vias, acabei sendo convidado para cantar, num ensaio de uma banda, de dois irmãos e um primo. Os caras estavam na pira, de fazer uma banda há um tempão, mas ainda não haviam definido nada.


Gravado em 1995 - Local de ensaio na Loja de Móveis Usados Boa Idéia.
Acervo: Valquir Fedri

Os Spaghetties aparecem realmente como banda no final de 1994, após meses de ensaios, porres e brigas. Também pudera, a banda era, essencialmente, formada por três caras da mesma família, com mais um adolescente desbocado e arrogante. A gente ensaiava no quarto do Marco, em escaldantes tardes de domingo. A barulheira contaminava a vizinhança e o também projeto de Igreja, "Poço de Água-viva", bem em frente a casa onde ensaiávamos, na Vila Brasil. Um "amigo" até pichou, na frente, algo do tipo "Deus não é surdo”. Nosso primeiro show foi numa tarde de sexta-feira, no mesmo colégio onde havia sido expulso, um ano antes. Creio que, no fundo, precisava trazer algo de volta, dar o troco de alguma maneira menos bíblica. A gente fez acontecer e a estreia foi certeira. Tocamos bem e com confiança. Na platéia do pátio havia somente uma meia dúzia de amigos, mais um monte de gente desconhecida, andando pra lá e pra cá. Estava rolando uma gincana, mas uma turma ficou pra ver a gente, no pátio do hall de entrada. Ainda éramos uma banda cover, tocávamos somente Ramones, Sex Pistols e Buzzcocks, às vezes, The Jam.

Talvez, tivesse tanto pra falar, sobre aquele período excitante da nossa primeira banda, o que aconteceu, na sequência é outra história. Esse tipo de diversão é sempre suculento e doloroso no decorrer dos anos. Isso é Rock and Roll. Rock and Roll, significa arte, por que não liberdade e prisão em forma de devoção e paixão, altos e baixos, brigas, aventuras, trapaças e amigos pra sempre.

Rodrigo Amadeu/32 – ex-vocalista e baixista dos "The Spaghetties".



Gravado em 1995 - Local de ensaio na Loja de Móveis Usados Boa Idéia.
Acervo: Valquir Fedri

Agradecimento
Regina Fedri - revisão do texto

domingo, 18 de julho de 2010

THE CHERRY BOMB - "Light Up The Town Garage Takes" - 2000



ESTE DISCO É DEDICADO A TODAS AS FIGURAS QUE AINDA SAEM DE CASA PARA DANÇAR AO SOM DO ROCKNROLL. (encarte CD)

THE CHERRY BOMB - “Light Up the Town Where the Garage Takes” (2000)

Por Felipe Teixeira

Lançado numa sexta-feira 13 em plena virada de século, “Light Up The Town Where the Garage Takes” registra um Cherry Bomb diferente dos álbuns anteriores. O público presente no show de lançamento, realizado no Teatro Zaqueu de Mello, talvez aguardasse os mesmos power chords com referências explícitas à escola nova-iorquina do rock setentista. Não foi bem assim.
A mudança de formação, com a entrada do baterista Rafael Moralez, e o aperfeiçoamento dos integrantes nas composições inéditas marcam uma linha divisória na discografia dos londrinenses. Logo no início, “Kinda Dream” arrebata o ouvinte com elementos formadores do DNA do Cherry Bomb: linha de vocais melódicos, refrões poderosos e o timbre agudo despido de efeitos. Clássico instantâneo com presença garantida em todos os setlists da banda.
Em seguida, Humberto Scaburi (guitarra / backing vocals) extrai de sua Rickenbacker toda a pureza necessária para conduzir a dedilhados “It’s fascinatin”, cantada em tom nostálgico por Rodrigo Amadeu (voz / baixo), principal compositor do grupo. Se “Real Good Times Together” soa repetitiva, “Alone In the Back Room” empolga ao flertar com o rockabilly e “Blind Sunshine” merece ser revisitada com um arranjo mais esmerado, caso a banda retorne à atividade.
“Light up the town” e “I`ll never close my heart”, apesar de novas, se assemelham à sonoridade punk rock da primeira fase. Por outro lado, “Young Mother” brilha pela literal “cantada” ao objeto de culto de Amadeu e demonstra um Cherry Bomb mais cadenciado e solto para solar. Escrita sob medida para qualquer discotecagem rock `n` roll. No final, o trio guarda “Outsider Soul”, faixa levada pelo refrão irresistível, direto ao ponto.
Em clima de ensaio gravado ao vivo, “Light Up The Town Where The Garage Takes” foi produzido por Valquir Fedri (Bonus Trash) e serviu de base ao repertório de “Disconnected Satellites”, disco sucessor e último registro do Cherry Bomb até o momento.

Observações: Além das músicas citadas acima, há regravações da fita K7 “Sad Songs for Happy Girls” (faixa título, Crazy for you e Tryin` again your love), do LP “Bombs to You” (My mind turns around the city e Your name is in my brain) e do CD “The Cherry Bomb” (Number one fan, Today I lose my pride e You better find). O disco também inclui versões de “So sad about us” e “La la lies”, do Who; “I`m your man”, de Richard Hell & The Voidoids e “Foot Tapper”, dos Shadows.
Felipe Teixeira - guitar/vocal da banda: DROOGIES www.myspace.com/droogies4

THE CHERRY BOMB _ Light Up The Town Garage Takes
Formação:
Humberto Scaburi - Guitarra
Rafael Moralez - Bateria
Rodrigo Amadeu - Baixo/Vocal

Múscas:
01 - Londrix Boulevard
02 - A Kinda Dream
03 - It´s Fascinatin´
04 - Real Good Times Together (Lou Reed)
05 - Sad Songs For Happy Girls
06 - Alone In Backroom
07 - Blind Sunshine
08 - I´m Your Man (Richard Hell)
09 - Crazy For You (Lucas Silva / Rodrigo Amadeu)
10 - Light Up The Town
11 - Number one Fan
12 - Today I Lose My Pride
13 - I´ll Never Close My Heart
14 - So Sad About Us (Pete Townshend
15 - You Better Find
16 - Young Mother
17 - My Mind Turns Around The City
18 - Foot Tapper (The Shadows)
19 - Tryin´Again Your Love
20 - Your Name In My Brain (Augusto Silva)
21 - La La Lies (Pete Townshend)
22 - Baby Oil
23 - Outsider Soul
Todas as Letras Rodrigo Amadeu (exceto as indicadas)

Ficha Técnica:
Gravação: Humberto Scaburi
Estúdio: Cherry Garage meados de 2000
Editado e Masterizado por Valquir Fedri
Arte: Fernando Sasaki

BAIXA AQUI O CD COM O ENCARTE + Zine PRODUTO DO ÓCIO edição especial
produzido por Rafael Moralez


Agradecimentos,
Juan Diaz pela digitalização do material gráfico para download
Felipe Teixeira pelo texto.



domingo, 6 de junho de 2010

VERMES DO LIMBO





Vermes do limbo é uma banda estranha com um som estranho. Sua formação enxuta – baixo e bateria – vai de encontro às formações convencionais dos grupos de rock.Desde 1996, formada por Cebola (baixo) e Pacola (bateria),Vermes intriga seus fiéis e devotados fãs com seu som fragmentado e antimelódico. Em 1998, lança sua primeira fita cassete pela Ordinary Records, e logo a seguir, com a participação de Fugita, “Esqueleto de la extremidad superior derecha de un feto de cinco meses” pela Accident Records. Em 2000, grava seu primeiro CD e, em 2001, o verme5, ambos pela Manufatura Vermes. Entre 2002 e 2007, Cebola e Pacola fazem um intervalo musical e param de tocar juntos. Agora, apresenta seu som lancinante pela noite paulista.Abraxxx Pacola

para ouvir e download

VERMES DO LIMBO (Puteiro Babylonia) 12/09/2009




VERMES DO LIMBO (Bendgy) 21/11/2009


VERMES DO LIMBO (cafeína) 06/02/2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

CYCLONE PILL


FORMAÇÃO: Marcos Papazoglou (guitarra/voz) - Duda Victor (guitarra/voz) - Marcelo Galvan (baixo/voz) - Junior "Pulga" - bateria
INÍCIO: 1994 TÉRMINO: 1996

Cyclone Pill by Marcelo Galvan

Começava o ano de 1994, o Fahrenheit 451 havia acabado a cerca de um ano e meio, eu estava concluindo o curso de artes pela UEL e não tinha nenhuma perspectiva com relação à música, pouco antes, tentei formar o grupo, “Teenage Depression”, junto com o Rodrigo Amadeu, na guitarra, Eu no baixo e vejam só, Creator na bateria, chegamos a ensaiar no antigo buffet Carvalho, que era do pai do Daniel, baterista de várias bandas punk da city, chegamos a fazer até logotipo, acho que foi apenas um ensaio ou dois e o projeto ficou só nas idéias, trocadas durante as madrugas de um Potiguá perdido no tempo. No início o Daniel fazia parte do que viria a ser o Cyclone Pill, mas como ele tinha outras atividades, a banda acabou mesmo se fixando sem ele.
Eu frequentava o apartamento dos caras dos ex-Fahrenheit 451, o Dimas e o Duda, que moravam na mesma área, no edifício José Dias Aro no centro da cidade, o lugar era um amontoado de apartamento, nada hospitaleiro. Em uma dessas visitas, tive minha querida bicicleta roubada, na entrada do apartamento, que morava o Dimas, sempre nos encontravamos as cinco para o chá, tradição na pequena Londres daquela época.
O Duda morava junto com o Valquir no terceiro andar, e o Dimas com a família no térreo, nunca vou me esquecer de uma mudança que ajudei a fazer, tivemos que subir geladeiras, camas, guarda-roupas e uma pá de outros objetos sem a ajuda de um elevador. É um daqueles dias que você se arrepende de ter aparecido pra ajudar, mas a duras penas sobrevivemos.
Logo, conheci o Marcos (Grego) que é cunhado do Duda, um figura que tocava guitarra muito bem, volta e meia a gente se encontrava naquele famigerado apartamento, o Grego por sua vez era amigo dos Rockers de Rolândia, pois ele morava lá, entre os figuras de Rolândia, um baterista em especial, o Junior, vulgo (Pulga), que durante um bom tempo foi sócio da Brazik’s, uma loja de instrumentos usados que existia no centro comercial, uma das coisas legais do Pulga é que além de batera, ele tocava gaita e trompete, o que dava um brilho diferente em algumas músicas da banda.
Foi daí que surgiu o Cyclone Pill, influenciados por Velvet Underground, The Who, Mutantes, entre outros. A banda atuou em Londrina de 94 a 96, o nome foi sugestão minha, e saiu de um antigo e obscuro desenho da Warner Brothers, que vi numa tarde ensolarada e repleta de ócio. Neste desenho, um pato era o protagonista da história. Ele comia um comprimido, onde estava escrito Cyclone Pill e depois saia voando, como se estivesse completamente louco. Tocamos em vários lugares da cidade, repúblicas, bares e também em festivais. Um deles, foi o que deu início ao festival Demo Sul, foi na ULES e o nome era “1º Londrina Underground Scream”. Várias bandas da época se apresentaram como Cherry Bomb, Animal de Teta, Convulsão, Gólgota e Gaf, os poetas Augusto Silva e Herman Schimtz fizeram um fanzine, onde publicaram poesias e os releases das bandas e distribuíram a publicação durante o festival.
O Ciclone Pill gravou duas fitas demos, (era fita cassete a forma de divulgação das bandas na época); a primeira em 1994 gravada no estúdio do China chamava “Only a Vision”, tinha músicas em inglês. Nessa época, o Valquir Fedri, tinha uma câmera VHS e a gente gravou um vídeo clip para a música, “Word of the Saint TV (Only a Vision)”. O vídeo clip foi gravado em cima da Brazik’s com a participação do saudoso Dimas, do Alan filho do Duda, que ainda era um bebê, além de alguns manequins que estavam perdidos sobre a loja, na minha modesta opinião esse vídeo clip ficou bem legal, devidos a realidade técnica disponível na época; a segunda fita demo veio em 1996 chamava “Punkadavercanção” foi gravada pelo Duda, com a ajuda de Lincoln na mixagem no estúdio caseiro “Garagem Hermética”, no mesmo esquema que foi gravado também pelo Duda o 1º disco de Mário Bortolotto “Cachorros Gostam de Bourbom” que teve a participação de integrantes da banda, em Punkadavercanção a banda mudou a sonoridade e optou por gravar, parcerias com poetas londrinenses, com músicas em português e em inglês.
No final de 1996, o Cyclone Pill terminou, O Grego mudou para Curitiba, o Pulga vendeu a Brazik’s e passou a tocar seus projetos em Rolândia, Eu e o Duda como não poderíamos deixar de ser, começamos a pensar em um novo Grupo, é inacreditável, mas Daniel o mesmo do início, era o baterista, que depois se tornaria Búfalos d'água, mas essa banda é outra história.


GRAVAÇÕES - FORMATO FITA CASSETE


LADO A

1- Little Lie (letra: Tony Hara / Rogério Ivano)
2 - The Hot Blood (letra: Eduardo Lopes)
3 - Meditiatic Song (letra: Tony Hara /Rogério Ivano)

LADO B

1 - Word Of The Saint TV (Only a Vision) (letra: Eduardo Lopes)

2- Fusion (letra: Cyclone Pill)

Músicas Cyclone Pill
Gravado em março de 1995
no estúdio Audio Art


LADO A

1 - País do Carnaval (letra: Augusto Silva)
2 - Upon Reflection (letra: Lawrence Ferlinghetti)
3 - Ask (letra: Rodrigo Garcia Lopes)
4 - White Desire (Letra: Cesar Sumiya)
5 - Punkadavercanção (letra: Augusto Silva / Marcelo Galvan)

LADO B

1 - Ratoeira (letra: Marcelo Galvan)
2 - Walking on the City (letra: Mário Bortolotto)
3 - Joker's Sin (letra: Tony Hara / Rogério Ivano)

Músicas: Cyclone Pill
gravado no estúdio móvel GARAGEM HERMÉTICA

outubro/novembro de 1996

capa: Herman Schmitz / Marcelo Galvan

Video Clip gravado em abril de 1996 para o lançamento da Demo tape Only a Vision
Gravação e Edição: Valquir Fedri
Música: Word of the Saint TV (Only a Vision) letra: Eduardo Lopes




Centro Cultural de Rolândia - 30 de abril de 1996
Música: Upon Reflection (letra: Lawrence Ferlinghetti)




1º Londrina Underground Scream - Local: Ules Data 08 de Junho de 1996
Música: Fusion (letra/música: Cyclone Pill)




Cyclone Pill & Mário Bortolotto Lançamento do Livro "mamãe não voltou do supermercado"
Local: Livraria Lido Data: 29 de agosto de 1996





Videos acervo: Valquir Fedri
Revisão texto: Regina Fedri